Colunas | Publicado por Beatriz Carlos em 20 de fevereiro de 2019.
As Bandas Que Ouvi Por Aí: Do brega ao pop, conheça a sofrência alternativa de Duda Beat

Conhecer bandas novas ou mesmo um artista solo, que realmente nos faça ficar envoltos em suas histórias, pode ser uma tarefa difícil em meio a tantas informações. Porém, estamos aqui para te ajudar nessa missão! Toda semana apresentaremos a vocês diferentes artistas do cenário independente que assim como nós vocês precisam ouvir. Hoje vamos falar da cantora recifense, Duda Beat.

Todo mundo já amou. Todo mundo já sofreu por amor. Não é vergonha se expor, contar sobre suas dores e frustrações. Muitos vivem a vida como ela não é, expondo inverdades para agradar (de forma falsa) seus seguidores em redes sociais. A verdade é que em tempos de felicidade artificial, quem tem amor próprio (e verdadeiro) é rei.

Mas como transformar todo sofrimento amoroso, dores e aflições em amor próprio?

Depois de sofrer inúmeras desilusões amorosas a cantora e compositora recifense Duda Beat decidiu dar a volta por cima e em seu primeiro álbum, Sinto Muito, lançado em abril de 2018, nos trouxe a solução.

Segundo a artista, todo sofrimento vale a pena se você o transforma em aprendizado, em um livro ou em um disco. É preciso coragem para se expor. E assim ela o fez, unindo o brega às batidas dos anos 80, com uma pitada de axé music e muito, mais muito, coração partido.

Aos fãs de Jaloo, Mateus Carrilho e Romero Ferro, Duda Beat é a artista que lhe faltava.  

Assista ao clipe de “Bixinho”:

Eduarda Bittencourt nasceu em Recife, mas aos 18 anos se mudou para o Rio de Janeiro. Após 7 anos estudando para o vestibular de medicina resolveu desistir e se jogar no primeiro curso em que sua nota fosse suficiente. Foi assim que se formou em Ciências Políticas. É isso mesmo. Nem só de desilusão viverá o ser humano, Duda Beat é cientista política.

Seguindo os conselhos de uma amiga, Eduarda, que ainda não havia se lançado como cantora, decidiu entrar em profunda meditação passando dez dias em total silêncio no retiro Vipassana. Em seu terceiro dia sonhou com tudo que havia passado e seguida por uma crise de choro percebeu que se ela se apaixonava (e sofria) tanto por músicos, talvez devesse “tomar” esse lugar para si e se tornar uma cantora de sucesso.

Após o retiro tomou coragem e apresentou algumas de suas composições para um amigo de infância, Tomás Troia, que se tornou o seu produtor e arranjador. Durante dois anos, até a finalização do disco, precisou retomar todas as suas dores para escrever as canções. E valeu a pena, pois a artista possuía a necessidade de se curar e fazer o que amava.

As 11 faixas que compõe “Sinto Muito” foram produzidas com o uso de samplers, sintetizadores, guitarras limpas, outras levemente distorcidas, baixo, bateria, sorpos e backing vocals. Mas todo o charme do disco, sem dúvida, está no sotaque nordestino que a cantora possuí.

A soma de 4 milhões de plays em plataformas de streaming apenas confirmam a certeza que Duda sempre teve de que o álbum seria um grande sucesso, como de fato está sendo. A música Bixinho, segunda faixa do disco, ganhou o coração do público e ficou durante algumas semanas no top 5 da lista 50 virais do Brasil no Spotify. Atualmente a canção ultrapassa 3 milhões de streams na mesma plataforma.   

É válido ressaltar que muitas pessoas contribuíram para que o disco saísse da forma que saiu. O álbum contou com a produção adicional de Lux Ferreira na faixa “Parece Pouco”, e Patrick Laplan. A mixagem ficou nas mãos de Diego Strausz e Pedro Garcia, esse último que também assina a masterização.

Sucesso em 2018, Duda levou o prêmio de “Revelação”, do segmento Música Popular, pela Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Desde então vem sendo requisitada para os principais festivais independentes do país, sendo uma das atrações confirmadas no Lollapalooza 2019.

Recentemente os fãs de Duda iniciaram uma campanha no twitter e instagram com as hastags #liberalana e #DudaBeatByTheBeach a fim de que a artista consiga a liberação da EMI de Lana Del Rey para disponibilizar o single “Chapadinha na Praia”, versão brega de “High By the Beach”. A música se tornou uma das mais pedidas no show, hit do verão 2018/2019. Recentemente foi filmada e publicada no canal do jornalista Caio Braz, e é a melhor gravação disponível atualmente.

Assista o vídeo de “Chapadinha na Praia”

Existiam algumas parcerias esperadas para este ano, uma delas com a cantora baiana Illy. Foi lançado então, no dia 1° de fevereiro, o clipe do single “Só eu e você na pista” com remix de Tomás Troia.

Assista ao clipe de “Só eu e você na pista”

Apesar de fazer parte, atualmente, de uma cena independente e ser conhecida como a “Rainha da Sofrência Indie”, Duda deixa claro que não pretende continuar neste lugar por muito tempo. Os próximos singles serão bem mais próximos do pop, como a própria cantora diz serão “pra rebolar a bunda mesmo”.

O segundo álbum, que já está em processo de produção, também sofrerá algumas alterações em sua temática. Como o momento é de felicidade, ele será uma transição e conterá apenas duas ou três faixas que ficaram de fora do “Sinto Muito”.

Para 2019 são esperadas mais duas parcerias, uma na faixa Corpo em Brasa, que sairá no próximo álbum de Romero Ferro, e na faixa inédita do cantor paraense Jaloo ao lado de Mateus Carrilho.

Como Duda nos ensinou, em um mundo moderno, repleto de relacionamentos fugazes, são os românticos, fieis ao amor verdadeiro, que sofrem as consequências do “ficar”. Se você se enxerga nessa frase, ou melhor, se você sente ela tocando lá no fundo de sua alma, e ainda não conhece o trabalho desta incrível cantora, pare agora tudo que está fazendo e dê um play nesta obra de arte.

Que você sempre seja o sucesso que sonha, e chega de sofrência, afinal, o mundo é seu e te quer sorrindo!

Ouça o álbum completo no Spotify.

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