Entrevista | Publicado por Karine Monteiro em 7 de agosto de 2018.
Entrevista: Leo Middea conta sobre sua carreira e composições com temas pessoais

O cantor e compositor carioca Leo Middea retrata em suas composições temas pessoais, mas ao mesmo tempo universais.  As músicas autorais falam dos medos, das paixões, dos sonhos, dos desgostos e de tudo inerente à experiência humana em dois registros de estúdio, “Dois” (2014) e “A Dança do Mundo” (2016). Vivendo atualmente em Portugal, o artista transformou ansiedade em dança em seu mais novo videoclipe, “Valsa”.

Em “Valsa”, ele canta ânsias de amor e traz à tona questões de saúde mental representadas na dança da bailarina Daniela Casimiro. O vídeo tem direção de Rita Grazina e passa por locações em Lisboa, Azeitão, Setúbal, Arrábida, Cabo Espichel, Cascais e Carcavelos, em Portugal. Confira abaixo:

“A Dança do Mundo” é um mix de experiências e aprendizagens adquiridas em viagens por diversos países. Lançado em março de 2016, o disco logo conquistou um lugar em diversas seleções de melhores álbuns do ano e obteve resenhas positivas pela imprensa brasileira e portuguesa. Do carimbó ao rock, “A Dança do Mundo” contou com a participação de artistas como Laura Lavieri (conhecida por sua parceria com Marcelo Jeneci), o violoncelista cubano Yaniel Matos, Nina Oliveira, Jota Pê, entre outros.

Leo conversou com a gente e contou um pouco sobre a sua carreira e composições. Confira a entrevista na íntegra:

A música te encontrou como uma forma de impressionar uma menina, aos 14 anos. Como foi que iniciou essa história de amor com a música?
A música me encontrou pelo amor, comecei a estudar violão e me apaixonei pelo estudo daquele instrumento. Após um tempo percebi que eu também conseguia compor, e escrever o que eu sentia/pensava foi uma ótima forma de terapia para mim e ainda é.

Falando em amor, “Dois” é sobre duas meninas que você foi loucamente apaixonado no ensino médio. É bonito ver como você compactou em um álbum dois amores tão intensos. Como foi o processo criativo de “Dois”?
Foi bem fácil e orgânico, na verdade. Essas duas paixões foram em tempos diferentes, guardei as canções que escrevia e quando fui gravar meu primeiro álbum, tentei fazer com que essas duas épocas, essas duas paixões conversassem entre si.

Em “Dona do Seu Carnaval”, o Rio de Janeiro está bem presente na canção. A cidade influenciou de alguma forma a sua musicalidade?
Sim! Minha cidade natal que amo tanto. Me influenciou na época e continua me influenciando até hoje, mesmo com essa distância toda.

O show de lançamento de “Dois” foi na Argentina, não no Brasil, por não ter conseguido espaço para tocar aqui. Diante dessa dificuldade, como você enxerga a cena independente no país?
Péssima. Não gosto de ficar reclamando das coisas, porém fico triste pela falta de espaço que tenho no meu próprio país. A cena cultural no Brasil ainda é muito precária, tantos artistas incríveis por esse país… é uma vergonha que esse movimento de apoio aos artistas ainda esteja dessa forma.

E hoje, como está sendo a receptividade do seu trabalho?
Pela internet consigo me guiar melhor em como o Brasil está recebendo meu trabalho. A cada dia que passa, recebo mensagens tão carinhosas a respeito da minha música que me dá uma felicidade que não tem tamanho! É muito dificil ir para o Brasil para tocar pois ainda não há retorno financeiro necessário para viver o mínimo, mesmo com um certo público, enquanto em Portugal consigo viver melhor da minha música, mesmo com um público muito menor.

A “Dança do Mundo” é um registro do que você adquiriu em viagens por outros países, certo? O que você trouxe dessas viagens para as suas músicas?
Certo! Se pensarmos na música como uma fotografia da vida, as viagens acrescentam em todo processo de composição. Cada coisa nova que a gente vive, cada experiência traz novos relatos e novas formas de ver a vida, e claro, a música reflete tudo isso.

Aliás, você lançou o disco enquanto estava em um retiro na Índia. Como foi ouvir o álbum pronto pela primeira vez depois de lançado?
Foi muito doido. Eu fiz essa escolha, de estar em Bangalore meditando enquanto os últimos ajustes do disco eram feitos. Confiei no Peter Mesquita (produtor e arranjador do disco) e quando voltei, amei o resultado e já estava recebendo um imenso retorno positivo do público.

Leo Middea

Ao longo do último disco você trabalhar com vários artistas em colaborações. Como artista solo, qual é a sensação de trabalhar essa coletividade nas canções?
É ótimo ter a energia de um outro artista, de uma outra pessoa no processo. No disco  ‘A Dança do Mundo’, eu quis explorar essa questão de usar o toque de outras pessoas para interpretar também o que eu estava querendo comunicar.

Entre as colaboração de “Dança do Mundo” está a Laura Lavieri, conhecida por trabalhar com Marcelo Jeneci. Como foi trabalhar com a artista?
Foi lindo! Conheci a Laura em São Paulo, em um show que ela foi fazer a solo. Ao final do show me aproximei e, na cara dura eu disse, que gostaria muito que ela participasse do meu disco. Ela pediu pra ouvir a música e topou.

Você acredita que a música é uma fotografia da vida e a capa de “Dança do Mundo” há várias referências as canções do disco. Como foi o processo de criação da capa?
Foi uma ideia minha e do Pablo Saborido (fotógrafo do disco). A ideia era juntar um pedaço de cada canção do disco e colocar na capa. Então acabou soando como uma espécie de brincadeira, de ir encontrando cada canção em um elemento presente na capa.

“La Belle de Jour”, do Alceu Valença esteve sempre presente em seus shows. Quais artistas são as suas principais referências?
Essa é uma canção que eu amo, faz tempo que não a toco. Mas de referências além do Alceu, posso dizer o Gil, Caetano e essa turminha toda da pesada.

Atualmente você está vivendo em Portugal. O que podemos esperar do Leo Middea no futuro? Talvez uma volta para o Brasil?
Quero muito voltar, porém as casas de shows, produtoras precisam se abrir para mim. Não há como eu montar uma tour sozinho. Tenho saudade do Brasil, mas quero que seja algo leve.

Quer deixar algum recado para os seus fãs?
Obrigado por todo o amor, mesmo!

Leo, nós do Palco Pop amamos conversar com você e desejamos todo o amor e sucesso do mundo. Obrigada!

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