Colunas | Publicado por Beatriz Carlos em 19 de maio de 2018.
As Bandas Que Ouvi Por Aí: A ascensão da banda Medulla

Conhecer bandas novas ou mesmo um artista solo, que realmente nos faça ficar envoltos em suas histórias, pode ser uma tarefa difícil em meio a tantas informações. Porém, estamos aqui para te ajudar nessa missão! Toda semana apresentaremos a vocês diferentes artistas do cenário independente que assim como nós vocês precisam ouvir. Hoje vamos falar da ascensão da banda Medulla.

A cada dia as pessoas tem necessidades mais específicas que refletem diretamente na música que consomem. Graças a ascensão das plataformas digitais é possível encontrar facilmente diversos artistas que atendam a suas exigências. Entretanto, nem sempre foi assim.

Em 2005, quando a banda Medulla surgiu, as gravadoras dominavam o mercado, elas funcionavam como uma espécie de filtro selecionando as músicas que chegariam até o público.

Apesar do som alternativo, de misturas pouco convencionais, os gêmeos Raony e Keops chamaram a atenção da gravadora Sony e lançaram o álbum “O Fim da Trégua” em 2006, um grande passo para a banda Medulla.

Aos fãs de The Mars Volta, MagüeRbeS e Planet Hemp, Medulla é a banda que lhe faltava.

Ouça o álbum “O Fim Da Trégua”:

A música vive em constante mudança, o que era mainstream nos anos 60 e 70 passou a ser underground e vice-versa. Entretanto, os nichos sempre existiram e foi em meio a esse público específico que a banda Medulla ganhou fama.

No intervalo de 10 anos entre o lançamento de seus dois álbuns, a banda lançou quatro compactos e ganhou uma nova formação com Alex Vinicius, na guitarra e synths, e Tuti AC, no baixo, mas vamos voltar um pouco no tempo para entender melhor o que aconteceu.

Com apenas 14 anos os irmãos Raony e Keops assinaram contrato com a Sony Music, entretanto só foram lançar o seu primeiro álbum dois anos mais tarde. Era comum as gravadoras manterem os artistas na “geladeira” antes de realizarem os lançamentos de fato.

A dupla sempre compartilhou da vontade de serem reconhecidos como banda e não apenas como uma dupla, logo se juntaram a Dudu Valle, Daniel Martins e Alan Pereira.

Com o fim do contrato a banda decidiu seguir suas produções de forma independente. O primeiro compacto, lançado em 2008, foi denominado “Akira” e já no ano seguinte lançaram em fita cacete o compacto “Talking Machine” contendo duas músicas. O terceiro compacto em formato PlayButton, lançado em 2010, recebeu o nome de “Capital Erótico” com quatro músicas e uma faixa bônus, por fim, contendo três faixas, lançaram “O Homem Bomba” em 2013.

Diferente do primeiro álbum, que possuía uma influência clara do rap, os compactos têm uma grande influência jazzística que fica clara na música “Gasolina, Gás e Prego” presente no segundo compacto da banda. Outras influências como o punk e hardcore também marcam presença.

Em 2014 receberam o convite para participar do programa Super Star, transmitido pela Rede Globo que tinha o intuito de apresentar os novos artistas que estavam surgindo. A aparição da banda Medulla em rede nacional contribuiu para que a ideologia presente em suas músicas atingisse mais pessoas.

Confira a apresentação:

Em 2016, após 10 anos do lançamento do primeiro álbum, “Deus e o Átomo” ganha vida. Com produção de Pedro Ramos, vocalista da Supercombo, o disco conta com experimentos musicais diversos misturando timbres acústicos e eletrônicos que conceituam o caráter espiritual das canções.

A banda sempre investiu em clipes, desde o primeiro disco. Todos os compactos possuem alguma produção audiovisual que pode ser encontrada facilmente no YouTube. Entretanto, o clipe da música “Um Abraço”, 5° faixa do álbum “Deus e Átomo”, chamou a atenção do público nos últimos meses. Não preciso falar muito, assista e entenderá.

Assista ao clipe de “Um Abraço”:

Se você ainda não conhece a banda, ou já ouviu, mas não teve a oportunidade de ir a um show, por favor, faça isso agora! É impressionante como eles se comportam no palco, vai além do mundo físico, é espiritual. A energia dos integrantes no palco contagia de uma forma inexplicável. É impossível não sentir a adrenalina correndo nas veias, é impossível não querer repetir a dose.

Há alguns dias a banda lançou em seu canal oficial o teaser de um novo trabalho, esperamos ansiosos para o lançamento que será ainda neste mês, no dia 25. E claro, esperamos que os próximos álbuns saiam em menos de 10 anos.

Que a energia de vocês permaneça viva em cada lugar que passarem. O movimento não pode parar!

Ouça o álbum “Deus e o Átomo” no Spotify.

Direitos reservados. Desenvolvido por Lucas Mantoani.