Colunas | Publicado por Beatriz Carlos em 11 de maio de 2018.
As Bandas Que Ouvi Por Aí: O dramático rock alternativo de Tai Veroto

Conhecer bandas novas ou mesmo um artista solo, que realmente nos faça ficar envoltos em suas histórias, pode ser uma tarefa difícil em meio a tantas informações. Porém, estamos aqui para te ajudar nessa missão! Toda semana apresentaremos a vocês diferentes artistas do cenário independente que assim como nós vocês precisam ouvir. Hoje vamos falar do dramático rock alternativo de Tai Veroto.

Uma boa identidade visual aumenta as chances que um artista tem de ser reconhecido em seu país e até mesmo em outros países. A indústria cinematográfica está a todo vapor com a produção de clipes musicais, empresários e gravadoras estão investindo cada vez mais o seu dinheiro em grandes produções visuais, afinal hoje em dia se tem a qualidade e roteiro de um filme para representar uma música que dura em média de 3 a 4 minutos. Tudo isso pode ser comprovado ao analisar canais como KondZilla, os clipes da cantora Anitta e da banda Maroon 5, dentre outros inúmeros exemplos.

Entretanto, todos os exemplos acima são grandes produções que envolvem um alto investimento financeiro e aqui sempre falamos sobre artistas independentes que em sua maioria não possuem as mesmas condições para investir.

E agora? Como fazer para continuar produzindo com baixo custo e ainda conseguir chamar a atenção do público em meio as grandes produções?

Recentemente conheci um artista que faz ser possível essa façanha. Com baixo custo e muito suor o cantor, compositor e ator Tai Veroto realiza suas produções e está ativamente gerando novos conteúdos para seu canal do YouTube que vão além da música. O artista nasceu em Santos, cidade localizada no litoral de São Paulo, e atualmente mora na capital do estado, onde se dedica inteiramente a carreira musical.

Aos fãs de Alabama Shakes, Artic Monkeys e Supercombo, Tai Veroto é o rock alternativo que te faltava.

Assista ao clipe de “Linda”

O Começo

“Eu acho que tudo começou com meu pai e meu avô, os dois foram figuras bem importantes na minha vontade de tocar, de ser um artista. Primeiro porque meu pai tinha um violão e ele tocava umas músicas, mas ele nunca foi de tocar muito bem, lembro que ele tinha essas revistinhas de cifras e tinha lá Legião Urbana, Capital Inicial, música pop brasileira e internacional. Essa foi minha primeira referência com som, com música. Os meus pais sempre ouviram muita música pop, do que rolava na época, tinha muito pagode, Só Pra Contrariar, Raça Negra, muito pop rock como Legião Urbana, Skank e Paralamas. Eu não tive uma criação mais erudita ou mais MPB, meus pais nunca foram dessa MPB de Chico Buarque e Caetano Veloso. Bom, esse foi o primeiro contato logo depois meu próximo contato foi com meu avô, lembro que ele tinha um órgão e logo depois ele comprou um teclado e ele brincava um pouco. Em certo momento da minha infância minha mãe me botou em uma aula de teclado, fiz um ano e meio e meu primeiro show foi um recital de teclado com “And I Love Her” dos Beatles. Indo pra adolescência, pedimos, pedimos, pedimos e meus pais deram pra mim e pro meu irmão mais velho uma bateria e uma guitarra. E aí foi quando eu comecei a tocar guitarra mesmo, nunca fiz aula, foi tudo a partir de cifras e revistinhas de cifras. Quando a gente foi crescendo, a internet foi crescendo junto e aí fui pegando tudo de tutoriais e tocando junto com as bandas. Então eu aprendi na raça guitarra, mas eu não tocava muito bem. Eu curtia muito hardcore, tive minha fase emo, curtia muito CPM 22, Charlie Brown Jr. E então a gente fazia esse som em um dos quartos da casa que a gente morava.”

Da Guitarra ao Canto

“Até os meus 17 anos eu tive varias bandas porque tinha uma cena independente muito forte rolando em Santos, talvez por causa da Garage Fuzz, por causa do Charlie Brown que estava bombando na época, era molecada mesmo. Tinham várias casas de shows que abraçavam e não era como hoje em dia que você tem que pagar cotas de ingressos. Eu toquei algumas vezes em festivais e casas de shows dessas que a molecada ia, shows para 5 pessoas, clássico né?! 5 pessoas era até lucro (risos). Porém eu só comecei a cantar em uma das últimas bandas, comecei a tomar gosto pelo palco e perceber que minha voz era boa e que eu tinha uma extensão grande, mas ainda muito desafinado. Então, na minha última banda que chamava Noturna, tive minha experiência mais profissional, começamos a tocar em barzinhos e foi nessa banda que comecei a desenvolver o canto.”

A Faculdade

“Eu queria fazer faculdade, fazer USP, lá em Santos tem esse mito de que é a melhor faculdade do mundo e você tem que entrar, e então eu prestei meio ano de cursinho e passei em Artes Cênicas, porque além do audiovisual, que era uma das minhas opções, eu achava bem interessante fazer teatro. No curso eu comecei a ter mais contato com o canto, porque eu tinha disciplinas de trabalho para voz e disciplinas de trabalho com o cantor, então eu comecei a me desenvolver. Nesse meio tempo eu ia sempre compondo, sempre gostei muito de ler e era inspirado também pelo meu irmão que compunha bastante.”

Teatro, Locução e Música 

“Formado em artes cênicas eu comecei a trabalhar como ator não só no teatro, mas também na publicidade e em curtas metragens. Continuei me desenvolvendo como ator e a trabalhar como locutor, e então decidi fazer aulas de canto com o Guilherme Leal, que já apresentou musicais como O Rei Leão, eu fui sacando que aula de canto era realmente importante, fui conhecendo meu potencial e desenvolvendo ele. Quando eu vi que minha voz estava chegando em um nível que eu conseguia gravar eu comecei a ganhar coragem pra investir de verdade.”

O EP

“É meu primeiro e único EP e foi lançado no final de agosto. Escolhi as quatro músicas em cima do que eu achava que estava mais maduro, das composições mais prontas pra serem lançadas, junto com um produtor e a equipe que estava produzindo. Eu pensei ‘de todas as músicas que eu tenho compostas aqui, quais são as que eu quero que público ouça primeiro para me conhecer, quais são as que tem mais a minha cara, a mensagem que quero transmitir agora’. Então, cheguei a conclusão junto com minha equipe de produção.”

As produções de baixo custo

“Os videoclipes que eu fiz até agora e os que estou fazendo no momento são todos feitos na raça, na parceria com amigos que emprestam câmera, que emprestam o trabalho deles. Tem um que a gente gravou no celular que é o lyric vídeo de “Um Dia”, ficamos duas horas escrevendo a letra da música no chão torcendo pra que nenhum carro estacionasse e apagasse a letra, foi todo feito em plano sequência. O clipe de “Linda” eu consegui fazer alugando uma câmera super barata de um amigo, fui eu e a Bárbara pra USP em São Paulo e gravamos em um dia de chuva com uma ideia da nossa cabeça de quebrar as coisas. Então assim, sempre na raça, na parceria, contar com os amigos e  fazer com pouca verba e ideias criativas.”

Alguma novidade para os próximos meses?

“Vou gravar um single que fala um pouco sobre as coisas que me revoltam na sociedade e sobre a incerteza de como fazer as coisas mudarem e qual caminho seguir, saber que alguma coisa tem que ser feita, mas não sabe o quê. E vai ter o lançamento do EP que será provavelmente no fim de agosto, estou gravando com o produtor Gabriel Cerapicos  de forma totalmente independente. Além disso no dia 15, próxima terça-feira vou lançar o clipe de Rei do Drama, e a partir disso pretendo lançar um clipe por mês.”

Tai, que suas ideias criativas nunca parem e que venham mais clipes!

Ouça o EP completo no Spotify.

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