Colunas | Publicado por Jonathan Oliveira em 13 de abril de 2018.
Lado B: Gloria Groove não cansa de ser gloriosa

Lado B é uma coluna sobre os bastidores da música, nas entrelinhas. O Lado B do disco, onde ficam as músicas menos conhecidas, mas que podem dizer muito sobre o processo de criação de um projeto.

Em sua certidão de nascimento vem Daniel Napoleão. Com 7 anos, ele participou do grupo musical Galera do Balão. Aos 11, foi semifinalista do concurso musical Jovens Talentos na TV Record. Aos 8 começou a trabalhar fazendo dublagem em programas como Hannah Montana. Mas onde nasceu Gloria Groove?

Em 2014, com apenas 19 anos, Daniel começou a se enxergar dentro da cultura drag queen, afirmando a influência do programa RuPaul’s Drag Race por mostrar o poder de ser drag. Foi a partir daí que Gloria nasceu da forma mais gloriosíssima possível.

“Nunca me encaixei e me enxerguei dentro do que as pessoas esperavam para mim. Quando se olha, não se sabe se é homem, mulher, meio do caminho, se chama de ele ou de ela. Ser drag me permitiu me ver pela primeira vez como artista. Ali dentro, posso explorar o que quiser.”

Foi só em 2016 que Gloria Groove começou a estrelar com músicas autorais. Pra mostrar que é dona da festa, da p* toda, lançou a deliciosa “Dona“. Um salve a todas as montadas da nação! Com o sucesso da canção, começou sua primeira turnê, a Dona Tour.

Durante esse tempo abriu shows de Sharon Needles e Adore Delano, drags conhecidas internacionalmente pelo RuPaul’s Drag Race e participou da faixa “Catuaba” com a drag Aretuza Lovi. Meses mais tarde começou a gravar o que seria seu primeiro álbum e em outubro lançou “Império“, faixa que consagrou Gloria como uma das maiores drags do Brasil.

Em fevereiro de 2017 finalmente lançou “O Proceder“, seu primeiro disco. Com ótimas baladas, mas com muito rap pop. Gloria entrou então em mais uma turnê, O Proceder Tour. Falando sobre autoestima e muito empoderamento, meses mais tarde lançou “Gloriosa” como seu terceiro single.

G-L-O-R-I-O-S-A, Groove dividiu o palco várias vezes com Pabllo Vittar, Lia Clark e Mulher Pepita. Inclusive participou do programa Amor & Sexo e falou sobre a importância da cultura drag como uma forma de identidade, representatividade e enfrentamento da LGBTfobia. Para finalizar a era Proceder, lançou “Muleke Brasileiro” como último single.

Começou sua nova era em participação com Linn da Quebrada, amiga drag de longa data, na faixa “Necomancia“. A canção fala sobre a força da mulher drag, trans, travesti, que não deixa nenhum homem dizer o que ela deve fazer.

Durante sua breve carreira, Gloria mostrou muitas vezes como é ser gloriosa, não apenas pela sua música, mas seu talento, sua voz e, principalmente, a sua humildade com os fãs. Ela reconhece o seu lugar, e além de ser dona, mostra que o império das nossas vidas é todo nosso.

Assista “Bumbum de Ouro” seu mais recente trabalho e primeiro single do seu novo álbum!

 

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